3.6.06


Não sei como é que isto vai ser... sei que dedilho depressa no teclado do meu computador, sei que as ideias se vão amontoando, e tenho o vício de escrever, mas a Natércia está a deixar-me de cabelos em pé. Não é que decidiu convidar-me a participar noutro blog? O formato agradou-me imenso e agora que estou agarrada a esse novo blog, não consigo parar de pensar em novas ideias! Esta mulher vai deixar-me sem força nos dedos!
Mas visitem-nos em Marco do Correio.
Nesse espaço cabem todas as cartas que receberam, que gostavam de ter recebido, que escreveram e não enviaram, que ficaram guardadas numa gaveta. E não precisam de assinatura, se não quiserem.
Vamos lá!

florbela

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31.5.06


Há aqueles livros que a gente anda anos para ler, apesar de os ter à mão. Uma Conspiração de Estúpidos é um dos exemplos.
Quer-me parecer que ainda estou a recuperar de tanta estupidez. Que uma coisa é essa mesma estupidez andar de braço dado connosco e nós olharmos para o ar, assobiarmos e fingirmos que não vemos. Outra coisa é vê-la assim chapadinha à nossa frente, nas páginas de um livro, e não podermos fingir que não conhecemos pessoas iguazinhas e que nós próprios somos tantas vezes cópia fidedigna de alguns dos personagens.
Assim, que mal faz que os nossos próprios livros vão aguardando a sua vez de ser escritos, se o tempo não é completamente perdido?

Nat

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19.5.06


Não, não é justo.
Tenho tanta vontade de escrever e só consigo fazê-lo aos soluços, pois o meu raciocínio é interrompido vezes sem conta e o que era, inicialmente, uma ideia estruturada, divide-se em inúmeros pedaços. Por vezes não sei qual desenvolver.
É certo que o deveria fazer sossegadamente, mas o tempo é pouco e vou-o surripiando à minha entidade patronal. É bom salientar que em nada prejudica o meu desempenho profissional, mas tenho que acrescentar que gostaria de estar num gabinete, sózinha, em silêncio... Isso é que era escrever! Assim, sim, dava conta do recado!

florbela

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15.5.06


Não mostra. A Florbela não me mostra o que está a escrever. Nem quer ler o que eu estou a escrever.
Sim, é mesmo assim. A gente mostra e parece que lá vem agoiro. Ou então é mais uma desculpa.
Eu tenho estado parada. Pelo menos neste projecto. Parece que não se chega a tudo, não é?, e apeteceu-me voltar a meter o bedelho em cantos onde não entrava havia séculos, vidas inteiras.
Mas não se iludam, a Florbela que não pense que vai fazer isto sozinha.
Foi um acordo, e uma mulher tem honra, que diabo.

Nat

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Confesso que comecei a escrever o que eu espero que venha a ser um livro, mas vai muito devagar. A vantagem de escrever directamente nas folhas de texto, é que não se amontoam, nem se rasgam, simplesmente fazemos um delete e já está! Tenho noção de que acabo por me enganar a mim própria pois o recomeço parece não custar tanto como se olhasse para o caixote do lixo e visse a minha caligrafia num amontoado de folhas amachucadas. Cobardia? Talvez. Os meus dedos cansados de dedilhar no teclado são a prova de que não desisto.
Tem sido uma experiência gratificante e divertida escrever ao desafio, no espaço que é o blog 15 linhas, pois tento fazer seguir a história para um determinado caminho e no post seguinte, a Natércia segue no sentido inverso, surpreendendo-me e obrigando-me a uma ginástica de imaginação enorme, sem falar nas quinze linhas que temos que respeitar.
Tenho relegado por isso o meu projecto de livro... Tem apenas 2 folhas... Ok, eu sei, isso é menos que um conto, mas eu tenho tentado esforçar-me... E o começo já lá está!

florbela

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9.5.06


Ui, que isto vai tão devagar. E penosamente.
A minha avó sempre disse que não devíamos dar passos mais largos do que a perna. Eu, pelo contrário, sempre tive a mania de esticar os passos. Mas lá que este é um passo largo demais, lá isso é.
Mas é assim, ou me surpreendo e o dou, ou desisto antes e nunca saberei. De qualquer modo, isto tudo requer é ginástica. Se ainda não for desta, pelo menos para a próxima estarei mais perto.
Aos poucos, aos poucos, as folhas vão-se enchendo, tomando forma, conhecendo-se entre si, espreitando-me.
Não, nada de preocupações, o tom do que está a ser escrito não tem nada a ver com este.

Nat

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6.5.06


Tinha duas mãos vazias. Nelas foi-me colocado um desafio grande, ocupá-las, ao mesmo tempo que ocupo o espírito para que não pense constantemente no mesmo, para que não me preocupe, porque o tempo, com a nossa ajuda, se encarrega de nos mostrar os caminhos a seguir, e apazigua as tempestades que por vezes caem sobre nós.
Há uma semana, não tinha nada para escrever. Queria escrever, mas faltava o incentivo, faltava o empurrão. E ele chegou, assim, de repente, quase me desiquilibrando. Hoje tenho muito para escrever. A Natércia, também ela, andava meia perdida da escrita, deambulando no seu blog solitário, que por vezes é dificil manter. Eu sei-o, pois padeço do mesmo mal. O meu blog vai-se mantendo, com textos cada vez mais espaçados, lançado quase ao abandono.
A solidão é tramada, já o aprendi.
Estamos agora empenhadas em nos ocupar. Mil folhas, 15 linhas, e agora Coisas de nada. Escrever, escrever, afastar de nós a inércia.
Confesso que me sinto febril. Tenho a obrigação de com ela manter viva a chama das letras. E já que, modestia à parte, até conseguimos escrever textos bons, vou-a empurrando quando parece abrandar, e aceito com um sorriso o empurrão que me dá quando a preguiça parece querer vencer-me.
Tenho por isso muitos projectos entre mãos, e quero dar continuidade a todos. Ás vezes parece dificil, mas sou uma mulher de desafios...
Mãos ao trabalho!

florbela

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3.5.06



Pois claro, já se sabia, ninguém disse que seria fácil. Também nenhuma de nós pensou que seria, que uma coisa é escrever para a gaveta ou para um blog, outra bem diferente é querer fazer do que se escreve uma coisa como deve ser, começando por obedecer àquilo que se aprende na escola, cabeça-tronco-e-membros. E já agora que se diga alguma coisa que valha a pena ler (que a gente já sabe que Margaridas há por aí muitas, a senhora que nos desculpe por ser dela o nome que representa toda a quilometragem de textos sem conteúdo, mas é preciso é simplificar).
E depois há o problema (ou a desculpa?) da falta de tempo, é o trabalho, a casa, os filhos, os outros livros, os óculos que se embaciam, as mãos que estão cansadas de teclar.
Como diz a Florbela, é preciso é querer, uma coisa assim a lembrar o deixar de fumar, pois se uma pessoa gosta de o fazer porque não há-de querer?
Eu, como fiz a tal batota e me agarrei com unhas e dentes a dois começos, penso que já me decidi. Ou melhor, assim que acabei de escrever isto, hesitei. Pois, até parece que é mais uma desculpa, como não sei qual continuo para este desafio, vou pensando no assunto. A verdade é que enquanto me decido, não faço nada, logo eu que não gosto nada de adiar decisões.
Então vai ser assim: já me decidi, vou mesmo pelo caminho mais difícil. Fracassar por fracassar que seja tentando o melhor.

Nat

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Estou a tentar concentrar-me para elaborar uma história, um enredo. Não sei se romance, se suspense, se outro género qualquer. Mas quero fazê-lo. E isso é a base para construir alguma coisa: querer. Pode ser que a qualquer momento se desmorone esse querer, mas valeu o esforço e o empenho. A persistência, o não desanimar todas as vezes que apagar o que já escrevi. Recomeçar então.
Por mais que tente mentalmente delinear os traços essenciais, a base para iniciar aquilo a que me proponho, só me ocorrem tragédias, mais uma vez. Será que terei que seguir mesmo por esse caminho? Suponho que dentro do grau de dificuldade inerente, esse seja o mais fácil. Mas não é facilidade que procuro, é realização. Talvez guerrear comigo mesma, contrariar-me a mim própria, ser teimosa.
Vou começar. Não sei bem o quê, mas vou dar o primeiro passo. Já sinto um formigueiro na ponta dos meus dedos, estes que percorrem o teclado do meu PC. Sinto quase uma febre interior que me empurra. Mais uma folha em branco, como tantas outras. Espero não pressionar muitas vezes a tecla do delete...

florbela

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28.4.06


Dou por mim a pensar que me é quase impossível escrever um livro.
Sinto-me demasiado agarrada à realidade e tenho dificuldade em me desligar dela quando escrevo, pois há sempre uma alusão a um momento, a uma pessoa, a um sentimento que não consigo controlar. Gostava de escrever algo que me alheasse completamente de mim, de forma a poder encarnar um personagem, viver a sua vida, imaginar os seus dias num quotidiano que me fosse estranho, amar e odiar de acordo com o seu feitio. Talvez porque de vez em quando sinto a necessidade de vestir outra pele. A escrita seria supostamente um meio para alcançar esse fim. Mas não estou a consegui-lo.
Estupidamente espero um empurrão que me faça mudar de rumo e levar um projecto alheada do que me rodeia, pois julgo que é assim que os escritores o fazem. Que pretensão a minha, querer englobar-me nesses artistas das letras, que escrevem verdadeiras obras de arte!
Mas também há o grupo dos pretensos escritores, aqueles que como eu escrevem com euforia, com a febre de realizar algo que os outros admirem, mas será que o admiram mesmo? Ou passam-nos a mão pela cabeça, dizendo: "gostei".
De repente, agarrei-me novamente ao bom hábito de ler, devorando livro após livro. Confesso que me deixei contagiar por alguém muito próximo que se passeia diariamente na sua viagem entre a casa e o trabalho de livro debaixo do braço. Confesso até que senti inveja dessa sua postura. E vergonha. Vergonha por ter tido durante muitos anos esse mesmo vício e acomodar-me à ideia de que a vida não me concede tempo para ler. Inveja por ela ter conseguido manter esse hábito, apesar do tempo também não lhe sobrar. É uma inveja saúdavel, quero aqui deixar bem claro.
Assim aprendi que na louca correria dos dias, temos que organizar os pedacinhos todos que sobram. Sim, porque sobram. Nem que sejam 10 minutos, os tais que eu agora vou aproveitando para ler nem que seja um capítulo de um livro.
Agarrei-me novamente a um projecto de escrita, chamado 15 linhas, onde escrevemos ao desafio. Não temos pretensões a um best seller, mas poderá ser o tal empurrão que é necessário para que ambas possamos, mais tarde, ou ao mesmo tempo, enveredar pelo tal projecto que tanto queremos realizar: escrever um livro. Pode ser que uma de nós consiga!

florbela

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Sabia que não ia ser fácil e aqui estou eu, já perante um dilema.
Tinha decidido seguir o fio do texto que começou ansioso, apressado, extenso, quase uma febre, não fosse este termo arrumar-me na presunção de que posso ser como o outro e escrever por febre de escrever.
Eis que me surge outra possibilidade de escrita, eventualmente mais fácil. Opto pelo caminho mais fácil? Aventuro-me no mais difícil?
Diz-se por aí que devemos escrever sobre o que conhecemos. Mas afinal que conhecemos nós? Dá-me ideia que a escrita pode ser, ela própria, um aperfeiçoamento do nosso conhecimento, e então não podemos partir do princípio que devemos escrever sobre o que já conhecemos ou julgamos conhecer.
O caminho mais fácil, além desta característica, poderia completar a trilogia que pretendo concluir e que tem a pretensão de mostrar 3 ângulos de uma mesma tela; ou seja, o pano de fundo, o tom, as causas, as consequências não se modificam, apenas se analisam de formas diferentes.
O caminho mais difícil apetece-me mais, apesar de tudo. Por várias razões: porque não me apetece ser uma espécie de Lobo Antunes que escreve sempre sobre o mesmo; porque escrevi as primeiras páginas numa fúria de satisfação comigo mesma; porque gostaria de saber se sou capaz de o levar a bom porto.
Evidentemente, poderei trilhar os dois caminhos, um de cada vez, seria talvez mais sensato. Qual o que, neste momento, me sairia melhor?
Penso que vou pegar nos dois textos e ver que palavras me saem primeiro, ou com mais facilidade.

Nat

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26.4.06


Escrever é uma necessidade, para quem ao longo dos anos se habituou a preencher folhas brancas, a rabiscar e a guardar palavras para mais tarde terem um nexo, para se poderem completar como um puzzle. O certo é que vão ficando na gaveta. A ideia que agarrámos numa determinada altura com afinco e entusiasmo, vai esmorecendo, vai perdendo força, e na esperança de que uma outra ideia brilhante surja, vão-se amontoando pilhas de folhas nas gavetas, lembrando os processos judiciais nos nossos tribunais.
Também eu tenho um sonho: escrever um livro, mas também o argumento e o final são sempre idealizados de uma forma trágica, nublada, escura. Não cheguei às 60 páginas como a minha parceira de blog, fiquei-me por umas meras 20 páginas e quando as comecei a reler, achei que para desgraça já bastam tantas situações da vida. O que deve interessar aos leitores talvez sejam coisas bem mais amenas, bem mais leves, de forma a que possam sonhar, deixar-se envolver e embalar pelas palavras. Assim, de mansinho.
Portanto, arrumei o meu projecto de livro e dediquei-me aos blogs. Comecei vários, que abandonei pouco tempo depois, mantendo apenas um, aquele que é o retrato fiel do meu ser, do meu sentir. Mas também ele, a pouco e pouco, foi ficando abandonado. E vou escrevendo alguns textos demasiado espaçados no tempo, talvez como uma obrigação que não quero assumir.
A escrita tornou-se, para mim, demasiado solitária...
Daí surgir uma ideia, essa sim, brilhante! Uma escrita a quatro mãos! Sim, porque dedilhamos o teclado com as duas mãos. E a esperança e a vontade renasceram, os olhos brilharam, o projecto nasceu e espero que consigamos escrever mil folhas ou quantas nos apetecer, sem que o entusiasmo se esvaia, e como em tantas outras situações vamo-nos empurrando uma à outra para seguirmos caminho.

florbela

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Eu fiz batota, devo admiti-lo. Agarrei-me afincadamente a um começo daqueles que, como tantos outros, deixamos numa gaveta ou numa pasta esquecida do computador.
Agora é continuar, que para alguma coisa há-de servir este empurrão.
O pior é que escrever é como tantas outras coisas, a gente pára e depois para reencontrar o tom é o cabo dos trabalhos. Ou, pelo menos, assim é para mim. Tenho tendência a fragmentar o que escrevo. Aliás, isso vê-se por coisas tão simples como eu pegar num caderno, independentemente do que escrevi para trás, e registar um texto que, penso eu, após escrever, nalgum lugar há-de caber.
Pois claro, eu sei, de profissionalismo este método não tem nada, mas eu não sou profissional, nunca escrevi um livro, e parece-me que o texto mais longo que escrevi não excedeu as 60 páginas.
A tarefa não vai ser fácil e, como tantas outras, talvez naufrague antes de qualquer porto, mas isso é o que menos me importa agora.
Enquanto escrevo, aqui estou.

Nat

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24.4.06


“Gostava de escrever um livro.”
“Eu também.”
Entre dúvidas sobre se seríamos capazes ou não, lá nos decidimos, que isto às vezes só lá vai com estímulos exteriores.
Não evitamos pensar que a Margarida Rebelo Pinto, provavelmente, começou por pensar que gostaria de escrever um livro e deu no que deu. Mas que importa? Tentemos, pois então.
O primeiro problema parece comum às duas: tudo o que nos sai da pena sai profundamente escuro e tende a acabar em trágicas mortes.
A resolução também foi comum: tentaremos que este seja uma excepção à regra que, contra nossa vontade, se instaurou.
Seremos capazes?, duvidámos. Tentaremos, acabámos por decidir.
Dois projectos, foi então o que nos surgiu pela frente. Um em comum, por brincadeira, as 15 linhas, outro no recato que é a solidão de cada uma de nós.
Este blog será então o retrato desse segundo projecto, a tentativa de escrevermos um livro, de nos levarmos a sério, de nos concentrarmos em algo mais do que a vacuidade dos dias e das noites.
Cada uma de nós irá sentar-se em frente à folha de texto em branco, estalará os nós dos dedos e começará a teclar. Cada uma a seu modo. Com avanços, recuos, brancas, medos, não importa. Cada uma de nós irá finalmente pôr-se à prova.
O percurso e os eventuais resultados serão aqui expostos e com isso não deixamos de ser duas aprendizes, duas pessoas em busca de uma tábua onde, ainda que por escasso tempo, encontraremos alguma espécie de salvação.
Dizem que começar é o mais difícil.

Nat

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mil folhas



Antes das mil, a folha em branco. A angústia de que se fala. Ou não. Palavra a palavra, página a página, um capítulo depois do outro. Até chegar ao fim.